Atualizações de setembro, 2018 Ativar/desativar aninhamento de comentários | Atalhos do Teclado

  • Jay 21:05 em 11/09/2018 Link Permanente | Resposta  

    Síndrome do impostor – você sofre? 

    Olá, pessoas lindas! Tudo bem? Espero que sim.

    Eu vou bem, como sempre, e, como tenho tentado fazer ultimamente, postando mais frequentemente aqui no blog. Não sei bem se isso é bom ou ruim. Pra mim, é ótimo, eu realmente me divirto escrevendo aqui e dividindo um pouco da minha vida e dos meus pensamentos com vocês – e vou melhorando, ou revivendo, minha habilidade de escrever em português, depois de passar tanto tempo tanto lendo quanto escrevendo em inglês. Sorte minha que o corretor ortográfico pega a maioria dos erros, porque vocês não querem ver as letras trocadas quando eu estou digitando rápido.

    OK, agora que vocês já sabem que eu sou uma fraude e não sei digitar decentemente na minha própria língua materna (que vergonha), vamos ao tema do post.

    Ops. Parece que já entramos nele, quando eu disse que sou uma fraude.

    Hoje, crianças, vamos falar sobre a síndrome do impostor.

    De acordo com a Wikipedia (meca dos pesquisadores preguiçosos), as pessoas que sofrem este tipo de síndrome, de forma permanente, temporária ou frequente, parecem incapazes de internalizar os seus feitos na vida. Não importando o nível de sucesso alcançado em sua área de estudo ou trabalho, ou quaisquer que sejam as provas externas de suas competências, essas pessoas permanecem convencidas de que não merecem o sucesso alcançado e de que de fato são nada menos do que fraudes. (O grifo é meu)

    Também de acordo com o mesmo verbete, que você pode ler aqui, a síndrome é mais comum em mulheres do que em homens. 

    Eu confesso que, por muito tempo, não soube o que era a síndrome do impostor, ou sequer que ela existia. Mas tenho vivido com ela há tempos. Em cada emprego que eu tive, sempre fui elogiada pela minha pontualidade, comportamento e competência. E, no entanto, sempre me senti como uma fraude, como se estivesse representando um papel que eu não tinha o direito de representar e esperando que me descobrissem. Mesmo no emprego que tenho agora, que mantenho há mais de sete anos e onde tenho uma porção de responsabilidades extras, eu ainda me sinto assim. Fico esperando que descubram que eu não sei fazer porcaria nenhuma, e que toda a confiança que tinham em mim foi o resultado de eu ter enganado todo mundo.

    Outro campo em que eu sofro bastante da síndrome é minha capacidade de escrever. Por mais que as pessoas que leem o que escrevo (bem poucas) gostem, eu sempre acho que estou fazendo tudo errado. Escrever este blog, por exemplo, é um ato de intensa vulnerabilidade. A cada post terminado, eu tenho a tentação de apagar tudo e deletar o blog, porque, afinal, é tudo uma porcaria.

    Não vou dizer que escrever e publicar os posts tem ficado mais fácil, ou que eu tenho ficado mais confiante, mas eu tenho aprendido que não importa se é uma porcaria. É a minha porcaria, no meu blog, e quem não quiser ler não é obrigado, afinal. De repente, se eu repetir o bastante pra mim que não importa se está bom ou ruim, um dia eu chegue a acreditar que não sou tão ruim assim.

    Ufa. Acho que já falei demais, não é? 

    Que tal falar um pouco também? Você sofre ou já sofreu da síndrome do impostor? Que tal dividir sua experiência comigo nos comentários?

    Beijinhos, e até o próximo post!

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  • Jay 22:27 em 22/08/2018 Link Permanente | Resposta  

    Falando sobre a morte 

    Olá, leitores lindos! Tudo bem? Espero que sim.

    Hoje vim falar de um assunto que, originalmente, pode soar mórbido, mas fiquem um pouco comigo, sim? Não é tão ruim quanto parece.

    Dizem por aí que uma das poucas certezas que temos na vida é de que vamos morrer. E eu concordo com isso. Ninguém fica pra semente, afinal. Todos vamos partir desta terra um dia. É algo que eu, pessoalmente, encaro até com uma certa tranquilidade, talvez por motivos que não cabem aqui no momento (quem sabe um dia eu compartilho tudo?). 

    Devido a algumas situações da vida, eu tenho pensado bastante sobre a morte no momento. Não a minha, eu vou bem, obrigada, e pretendo viver até os cem enchendo o saco de todo mundo ao redor. Vocês foram avisados. Mas uma pessoa da família está daquele jeito – a gente não sabe até quando vai. Nesses casos, pode ir mês que vem ou durar anos, mas estamos naquele momento de incerteza. Vamos seguindo a vida como dá e apenas esperando. É o que nos resta fazer.

    Saindo do particular para o geral, eu penso bastante sobre como a nossa cultura se relaciona com a morte – e outras também. Acho que é o resultado de ter uma conhecida que é agente funerária – você acaba falando mais sobre o tema do que a maioria das pessoas (onde eu acho esses amigos?). Além da amiguinha que trabalha com funerais, também assisto de vez em quando ao canal Ask a Mortician, no YouTube. A dona do canal, Caitlin Doughty, tem uma funerária ligada ao movimento “death positivity”.

    O movimento basicamente tenta tirar o estigma da morte e de tudo o que se segue, e, talvez incidentalmente, aproximar a morte do que era antes na maioria das culturas.

    Atualmente, quando perdemos alguém, é tudo muito… deixa eu pensar um pouco na palavra. Sanitizado? Industrializado? São palavras bem ruins, mas é impessoal. Acho que vai ter que ficar com essa palavra.

    Não que a gente não sofra e não sinta, isso, creio, nunca vai mudar enquanto formos humanos. Mas a morte se tornou uma experiência muito menos envolvida.

    Antigamente – ou nem tão antigamente assim, historicamente -, a maioria das pessoas terminava seus dias em casa, sob os cuidados de um parente ou vários deles. Quando isso acontecia, havia um rito a ser seguido. 

    Como eu penso e falo melhor com exemplos, vamos ao caso da minha avó materna. Ela faleceu quando eu tinha 15 anos – ou seja, 20 anos atrás. Não é tanto tempo assim (e velha é sua mãe!). Quando ela faleceu – em casa -, eu não estava lá. Estava na casa da minha tia, que não era muito longe. Acordei com o som de fogos de artifício – que eram usados junto ao sino, porque o som se espalhava pela cidade no silêncio que é uma cidade pequena às duas da manhã. Não sei se hoje em dia ainda se usa, a cidade cresceu muito.

    Pouco tempo depois que eu acordei, a tia que estava com a avó naquela noite chegou em casa pra nos avisar do que tinha acontecido. Como acharam que nós, ‘crianças’, estávamos dormindo, nos deixaram dormir o resto da noite e nos contaram de manhã. Só eu sei como passei o resto da noite. Quando acordei, tudo já estava em movimento. Amigos tinham sido avisados, a sala tinha sido arrumada pro velório – em casa mesmo, e não no cemitério – e as pessoas estavam começando a chegar. 

    E chegou MUITA gente. Veio gente de tão longe que quase dez horas da noite ainda tinha gente chegando. Gente que eu conhecia, gente que eu nunca tinha visto, gente que eu não conhecia mas que me conhecia, porque tinha me visto bebezinha. Gente que tinha sido ajudada pelos meus avós de alguma forma. Antigos alunos do meu avô, que foi professor. Muita gente, um calor humano enorme. No enterro – o cemitério da cidade é bem longe da casa, e fica elevado, num terreno de onde se vê a praia – todos nós nos sentimos acolhidos. Através do borrão que fica na sua mente quando você perde alguém, ainda lembro do carinho e cuidado de tantas pessoas maravilhosas. Depois que voltamos do enterro, sentamos e ficamos ouvindo as pessoas falarem das lembranças que tinham. De como eles não podiam deixar de vir. Alguns de tão longe, outros de perto. Foi algo muito humano. Muito pessoal.

    Isso foi há um bom tempo, e aconteceu numa cidade do interior baiano, mas é mais ou menos isso. É retomar a morte como um rito, como algo próximo. É dar às pessoas próximas o tempo de processar o que aconteceu, e de estar envolvidas. De não assinar um pedaço de papel e deixar seu ente querido aos cuidados de estranhos na última vez que veremos seu corpo. 

    Depois da minha avó, eu perdi outras pessoas. Tias, tios, o avô paterno. Todos eles tiveram o tipo de enterro que é comum hoje. Não nego que seja mais prático, e até menos uma preocupação para a família. Mas parece que falta alguma coisa. Parece que o último capítulo da história não foi escrito.

    Eu ainda não sei direito o que pensar. Um lado compreende a necessidade de uma maneira mais prática de lidar com a morte. Ela é uma realidade, assim como o fato de que todas as outras pessoas – as que ficam – têm vidas corridas. O outro lado sente falta de ter um momento de parar tudo. De reflexão. De despedida com a lembrança da pessoa querida ali. E depois deixar ir, porque está na hora.

    Pessoalmente, eu me recuperei bem mais rápido no caso mais envolvido. Creio que seja isso que o movimento death positivity quer trazer de volta. A sensação de que a pessoa teve uma despedida como devido. Uma espécie de primeiro passo do luto feito de forma mais ativa. Não sei. É algo em que a gente não gosta de pensar – nem a nossa morte, nem a dos outros. Mas é uma reflexão que acabo fazendo de vez em quando, especialmente nesses momentos da vida.

    Mas acho que já falei demais, não? Então, é sua vez de falar, leitor. Tem alguma experiência a dividir? Concordar, discordar, ou qualquer coisa entre os dois extremos? Fala comigo nos comentários!

    Beijinhos, e até o próximo post! (Menos mórbido, espero)

     
  • Jay 19:14 em 25/07/2018 Link Permanente | Resposta  

    Precisamos aprender a ser “monotarefa” 

    Olá, leitores! Tudo bem? Espero que sim!

    Comigo vai tudo caminhando, como sempre. E vim aqui hoje pra falar mais um pouco com vocês de coisas aleatórias. E, claro, quero ouvir a opinião de quem me ler aqui no final.

    Como muita gente hoje em dia, eu trabalho em tempo integral. Como talvez menos gente, eu gosto de trabalhar. Amo ficar ocupada, amo fazer coisas, colocar coisas em ordem, atender clientes (meu trabalho envolve largamente o atendimento aos clientes da empresa que me emprega), escrever materiais, manuais, malas diretas, etc. Basicamente, apesar de às vezes me estressar, realmente gosto de fazer tudo o que o meu trabalho envolve.

    Mas, como falei um pouco ali em cima, eu me estresso. Assim como você também, leitor, provavelmente se estressa no dia-a-dia, às vezes com coisas que pode controlar, e às vezes com coisas que estão fora do seu (e do meu) controle, como o engarrafamento nosso de cada dia e o ônibus lotado ao ir e vir do trabalho.

    Muitas das coisas que nos estressam a gente não pode controlar. Não podemos evitar que chova na hora errada, que tenha um acidente ou blitz bem na hora que precisamos andar rápido pra chegar ao trabalho, ou que o motorista do ônibus meta o pé na tábua e saia do ponto bem na hora que a gente chega.

    Mas podemos controlar outras coisas. Uma delas é a nossa tendência a querer fazer tudo ao mesmo tempo. Se você está no trabalho, leitor, dê uma olhada ao seu redor. Quantas coisas você está fazendo agora? Uma só? Duas? Três? Nem sabe quantas? 

    O mundo hoje em dia nos ensina que só somos completos se pudermos desempenhar várias tarefas ao mesmo tempo. Estamos escrevendo um e-mail pro chefe, falando no telefone com o cliente e ajudando a tirar uma dúvida do colega. E não fazemos nenhuma dessas coisas direito, porque estamos dividindo a atenção com duas outras.

    Mas, se fizermos uma coisa de cada vez, sentimos que estamos sendo improdutivos. Temos medo de ser vistos como lentos, preguiçosos, desocupados. Mas será que é isso mesmo? Será que, por fazer uma coisa de cada vez, nos tornamos menos eficientes? Eu defendo que não. Ao fazer uma coisa de cada vez, podemos, sim, ter a impressão de estar indo mais devagar. Mas isso é por conta do nosso costume de querer fazer tudo ao mesmo tempo. Quando paramos e fazemos uma coisa por vez, fazemos melhor, e, às vezes, mais rápido do que se nos interrompermos a toda hora pra ver alguma outra coisa.

    Não acredita? Faça um teste quando puder. 

    Eu fiz, e realmente trabalhei mais rápido e melhor ao me concentrar em uma coisa de cada vez. Não que eu não seja culpada de fazer várias ao mesmo tempo – acho que todos somos de vez em quando. Mas essa é a exceção, não a regra. E, claro, sei que nem sempre é possível.

    Mas ainda recomendo a tentativa. Talvez, ao invés de fazemos várias coisas mais ou menos ao mesmo tempo, devamos fazer bem uma coisa de cada vez. É o que estou tentando fazer.

    Agora queria ouvir sua opinião, e suas experiências. Você prefere fazer várias coisas de uma vez, ou uma só por vez? Conta pra mim nos comentários!

     
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