Como convivo com a depressão

Olá, leitores! Tudo bem com vocês? Espero que sim!

Vim aqui falar um pouquinho de saúde mental hoje. Na minha opinião, saúde mental é um daqueles assuntos sobre os quais a gente precisa falar mais. Muito mais. Até que se torne tão normal quanto falar sobre o tempo. Não sei se um dia vamos chegar lá, é claro. Mas vou fazendo minha parte nesse trabalho de formiguinha.  Pensem comigo – a gente não diz pras pessoas que a sua saúde física está só na sua cabeça. Por que fazemos o mesmo com a saúde mental? Eu sei, eu sei – é um pouco contraditório, já que estamos falando de saúde mental. Mas vocês sabem o que eu quero dizer, né? Quero acreditar que todos os que por aqui passam são pessoas inteligentes.

Eu tenho tido episódios depressivos há muito tempo – desde a adolescência. Minha primeira terapista mal falou comigo, e decidiu que estava tudo bem comigo. Não estava. A segunda terapista com quem conversei viu através da fachada – e vocês podem ter certeza de que qualquer pessoa com problemas de saúde mental tem uma – e viu que não, não estava mesmo tudo bem. Foi ela quem descobriu as companhias nada bem vindas que ficariam ao meu lado pelos próximos anos – o transtorno bipolar e a ansiedade. Ótima combinação, não acham? 

Não tem sido fácil, mas tenho levado a vida sem medicação. Nunca fui medicada para o transtorno bipolar – não foi considerado necessário. Tomei medicação para a ansiedade e a insônia resultante dela por algum tempo, e foi uma experiência péssima. Eu ainda ficava acordada à noite, e me sentia como um zumbi pela maior parte do dia. Depois de falar com o médico que estava me tratando, a solução que ele encontrou foi aumentar a dose da medicação que eu tomava durante o dia, por alguma razão. Acabei parando de tomar a medicação e não voltando mais a procurar o tal médico – não, não é a coisa mais responsável a se fazer, é e algo que, mesmo eu tendo feito, eu não recomendo a pessoa alguma. Mas, naquele momento, foi a escolha que eu julguei mais apropriada pra mim. 

Depois que parei de ir a esse médico, acabei não procurando outro. Isso quer dizer que, nesse momento, estou vivendo sem tomar medicações para o transtorno bipolar ou para a ansiedade. E meus momentos ‘baixos’ (depressão) são muito mais frequentes que meus momentos ‘altos’ (mania). Ainda assim, eu tenho vivido relativamente bem sem ser medicada. Eis os métodos que uso para viver decentemente:

  1. Ficar ocupada. Eu sei que nem sempre é fácil se forçar a fazer alguma coisa quando você está num momento ‘baixo’, mas, para mim, ficar ocupada ajuda. Quanto mais tempo eu passo sem fazer nada, pior eu me sinto, porque ficar desocupada quer dizer que eu vou ter todo o tempo do mundo para pensar sobre como eu me sinto horrível, como o mundo é deprimente, e todos aqueles outros pensamentos tóxicos que invadem a mente de uma pessoa nessa situação. Trabalhar é estressante, mas me ajuda a ter alguma coisa fora desse ciclo para pensar.
  2. Exercício. Outra daquelas coisas que é difícil encontrar energia pra fazer, mas que, quando faço, ajuda a me sentir melhor. Tenho uma esteira em casa, e cheguei a usar por um tempo, mas não ajudou muito. Tenho também pesinhos, e levantá-los, ainda que só por alguns minutos, geralmente me ajuda a ter algo em que me concentrar enquanto conto as repetições – e a serotonina também é uma adição muito bem-vinda.
  3. Escrever. Acho que nem é preciso dizer que eu escrevo muito. No momento eu tenho dois blogs (este aqui e um em inglês), estou trabalhando numa história solo, e escrevo de forma colaborativa com qualquer pessoa que apareça, além de escrever um pouco para o trabalho também. Toda essa escrita ajuda, até a que faço para o trabalho – ajuda a ter alguma coisa em que me concentrar. 
  4. Desabafar. OK, essa aqui precisa ser feita com moderação, mas eu tenho alguns amigos maravilhosos que estão dispostos a ouvir um breve desabafo, oferecer uma palavra de conforto e depois passar pra um assunto mais leve. E é exatamente disso que eu preciso, já que ficar pensando naquilo que me chateia não vai ajudar em nada.
  5. Falar sozinha. Eu sei, eu sei. Sou uma daquelas pessoas doidas que falam sozinhas, e falam pra caramba. Se eu preciso falar sozinha em público, eu pego o celular e escolho um ‘amigo’ aleatório com quem eu aparentemente estou falando pra não parecer tão doida, e começo a falar. Assim, eu consigo desabafar sobre o que está me incomodando e não encher o saco de nenhum amigo no processo. Falar sozinha ajuda a tirar tudo da minha cabeça, e é tudo de que eu preciso quando não estou legal.

Bom, esses são os métodos que eu uso. Eles ajudam quando estou depressiva, ou quando a ansiedade está atrapalhando demais o meu dia. Levou algum tempo para desenvolver cada um desses métodos, mas eles me ajudam muito a manter a sanidade e me acalmar nos momentos difíceis.

Agora é sua vez. Quais os seus métodos? Se quiser me contar, divide comigo nos comentários!

Beijos, e até o próximo post!

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