O que é um leitor beta?

Olá, leitores! Tudo bem? Espero que sim!

Venho aqui falar mais um pouquinho de escrita. Parece que é só isso que eu faço ultimamente, mas eu tento não falar nisso o tempo todo. Juro que tem outros temas planejados para futuros posts. Fiquem por aí, sério. Não fujam.

OK, parece que vocês ainda estão aí. Vamos ao tema do post.

Quando eu comecei a escrever – mais ou menos na época em que os dinossauros ainda andavam pela Terra e a gente ainda tinha aula de Estudos Sociais na escola -, não se ouvia falar em leitor beta. Até pode ser que existisse algo similar, mas o nome definitivamente não existia.

E mesmo hoje em dia, eu ainda ouço algumas pessoas perguntando do que se trata, então decidi tirar um minuto pra falar do que um leitor beta é, e também do que ele não é.

O que é: basicamente, um leitor beta é alguém que vai ler o seu livro depois que você fizer a primeira revisão nele (ou antes, se o seu beta for um anjo na Terra) e apontar incoerências, furos, e basicamente falar francamente com você sobre o livro, dando opiniões e sugestões que você pode ou não implementar, de acordo com os seus planos para o livro. Geralmente o serviço é feito sem custo para o escritor.

O que não é: apesar de muito útil, o leitor beta não é um revisor gramatical. Ele não é um editor. Ele não vai reescrever o seu livro pra você. E ele não é – nunca se esqueça disso – seu empregado. 

Como utilizar: agite antes de u… não, pera. Utilizar um leitor beta é simples. Você entrega o seu manuscrito para a pessoa, fala um pouco com ela sobre ele e sobre o que você espera – ou se há alguma parte específica a que você gostaria que fosse dada mais atenção – e aguarda o retorno que a pessoa tiver a dar.

Como encontrar: geralmente circulam por aí em grupos de escritores. É considerado de bom tom oferecer seus próprios serviços como beta (à mesma pessoa ou a outra) quando você procura um beta. Uma mão lava a outra, sabe?

Algumas pequenas recomendações: 

  1. Ter mais de um leitor beta é uma boa ideia, seja ao mesmo tempo ou em momentos diferentes do trabalho;
  2. Respeite o fato de que o seu leitor beta está fazendo um trabalho voluntário. Entenda que ele tem uma vida, e seu livro é apenas uma parte dela;
  3. Escolha leitores que curtam o gênero que você escreve – caso contrário eles já começarão com uma percepção negativa;
  4. Aprenda a aceitar e filtrar críticas antes de pedir para alguém betar o seu livro. Sério, ninguém quer fazer um favor pra ser xingado porque o ego do escritor é frágil demais.

Bem, acho que é isso. Eu já fui beta de alguns livros. Na verdade, dois livros e um conto. Duas experiências boas – um dos livros e o conto – e uma ruim. Os dois escritores com quem tive boas experiências foram maravilhosos. Entenderam que eu tinha uma vida corrida e só tinha tempo de betar nos fins de semana, aceitaram com tranquilidade meus comentários e sugestões – mesmo os que não implementaram – e agradeceram educadamente pelos meus serviços.

O outro? Um terror. Insistente – eu disse que não gostava do gênero do livro, mas ele não acreditou. Chato – não entendia que eu tinha mais o que fazer e não podia largar meu emprego pra ficar debatendo o livro na hora que ele queria. Arrogante – qualquer problema que eu apontava no livro era ‘porque eu não entendia a visão dele’. Li poucos capítulos e desisti. E ainda tive que lidar com pressão e chantagem emocional porque ele não conseguia acreditar que eu não queria ler o livro dele. Tentei ao máximo falar com educação, mas o cara pressionou tanto que eu acabei dizendo que odiei o livro e me contendo pra não mandar pastar.

E assim acabou minha curta carreira como leitora beta. 

Acho que já falei demais, né? Agora é a vez de vocês. Já foram leitores beta? Já tiveram alguma experiência memorável – positiva ou negativa? Ou já tiveram experiências memoráveis estando do outro lado da mesa? 

Dividam comigo nos comentários!

Beijos, e até o próximo post!

Anúncios