Dores e delícias de ser mulher

Olá, pessoas! Tudo bem com vocês? Espero que sim!

Vim aqui falar mais um pouquinho de coisas aleatórias hoje (seja lá quem me lê já deve estar de saco cheio, mas vamos lá).

Eu nasci mulher. Nasci com todos os cromossomos e partes que fazem de mim uma mulher cis – identificada com o meu gênero, embora não com as expectativas estúpidas que se tem dele. Talvez eu fale em mais detalhes sobre isso um dia.

E como venho sofrendo atualmente (bastante) com problemas femininos – cólicas, mais especificamente, só que todos os dias, que sorte, não? -, é um pouco difícil não pensar muito sobre ser mulher e o que vem no pacote.

Naturalmente, eu não posso falar da experiência de outras pessoas, mas posso falar das minhas. Vamos começar pela parte boa?

Delícias:

  1. Ninguém espera que eu não demonstre sentimento;
  2. Meu leque de habilidades pra desenvolver é mais amplo – ninguém vai me chamar de ‘viadinho’ se eu quiser aprender a costurar;
  3. As pessoas (homens e mulheres) ainda seguram a porta pra eu passar quando me veem carregando alguma coisa, o que é ótimo, porque esta que vos fala é desastrada pra caramba.

Mas claro, nem tudo são flores, e, olhando ali pra cima, vejo que é um pouco triste saber que tem tão pouca coisa. Agora, as dores:

  1. Menstruar. Sério, é incômodo, chato, desagradável, e caro (deem uma olhada no corredor dos absorventes quando puderem);
  2. Como um correlato do caso acima, cólicas – as minhas são brutais;
  3. A expectativa de que a gente precisa querer casar e ter filho, senão somos mulheres com defeito;
  4. A expectativa de que a gente vai achar legal quando um cara qualquer começar a gritar obscenidades pra gente na rua;
  5. A ideia de que viemos a esse mundo para agradar o sexo oposto, então é melhor parar de palhaçada e abrir logo as pernas. Se não quiser, tudo bem, vai à força mesmo;
  6. A falta de respeito de algumas pessoas que acham que ‘mulher não serve para (…)’ – insira aqui sua profissão, campo de trabalho, hobby, etc;
  7. O medo na rua. Cara, ser mulher é assustador pra caralho. Sério. Você coloca o pé na rua de noite, e sai rezando pra divindade em que acredita pra voltar pra casa em segurança. Enquanto os outros temem assaltos, a gente teme isso e mais as violências perpetradas contra nós simplesmente porque somos mulheres e, que audácia, estamos andando sozinhas na rua;
  8. O medo dentro de casa. Como se não bastasse morrer de medo na rua, ainda não estamos seguras em casa, ou com o parceiro que não mora com a gente;
  9. O medo quando não dá mais, e a gente quer terminar a relação. Ainda lembro do dia em que o meu (ex) namorado quase me quebrou o braço quando eu estava dizendo pra ele que não dava mais, que estava terminando tudo com ele, que eu estava cansada do ciúme doentio enquanto ele pintava e bordava pelas minhas costas. Ter que passar a mão no telefone pra chamar a polícia e só aí ele sair da sua casa, com um sorrisinho filho da mãe dizendo que ‘você ainda vai ligar e pedir pra ele voltar’. E ainda dei sorte que fiquei só no braço quase quebrado.

É complicado, amigos, muito complicado. Ainda espero que as coisas mudem um dia. Nossos corpos vão continuar dando uma zebra aqui, um enguiço ali, isso vem com o território. Mas o dia em que todas nós só precisarmos nos preocupar em tomar um analgésico e rezar pra dor passar logo quando vier a cólica, será um dia em que a nossa vida terá muito mais sossego.

Sei que há mulheres em pior situação por aí. Eu tive estudo. Eu trabalho e ganho o mesmo que meus colegas homens. Eu não moro com um parceiro abusivo, que me mantém sem trabalhar pra que eu não possa ir embora. De dentro da minha falta de privilégio fundamental, eu ainda sou privilegiada.

Mas ainda é pouco. Quero mais. Quero sair na rua e voltar pra casa sem me preocupar por ser atacada apenas porque sou uma mulher.

Quero isso pra mim, quero isso pra todas.

Você que me lê, seja mulher ou não, divide comigo suas dores e delícias! Adoro saber da vida dos outros, digo, ouvir a opinião das pessoas!

Beijinhos pra quem leu até aqui, e até o próximo post!

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